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February 03 Se me perguntarem eu negoAos vinte anos eu tinha uma super-amiga e acontece que eu namorava o super-amigo do namorado dela. Era um tempo bom, saíamos os 4 e nos divertíamos muito. Éramos o quarteto inseparável, estávamos o tempo todo em contato uns com os outros, e olhe que naquele tempo não havia celular nem orkut. Os namoros foram ficando sérios e minha amiga e o namorado planejavam se casar; nós também. E todo mundo confiava em todo mundo. Nem passava pelas nossas cabeças que algum de nós pudesse estar de olho na outra parte. Mas estava. Tive um problema com um dente que infeccionou e só consegui hora no dentista à noite, meu namorado estava trabalhando e pediu ao amigo (namorado da minha amiga) que fosse me levar. Infelizmente era um caso de tratamento de canal, o que significa que eu teria que voltar lá outras vezes e por azar os horários que consegui marcar coincidiam com os horários de trabalho do meu namorado. Como desgraça de pobre nunca vem só, imaginou o destino que eu com dente inflamado e namorado trabalhando à noite era pouco e colocou no meu caminho um canalha. Sim, porque canalha ainda é pouco para o que o namorado da minha amiga e amigo do meu namorado aprontou: numa dessas vezes que ele foi levar-me ao dentista (com a aprovação e bênção tanto do meu namorado quanto da namorada dele) não é que o pilantra me passou uma cantada? Ainda se fosse uma cantada legal, sutil, eu faria de desentendida, acabava ali. Mas além do inoportuno momento (gente, com dente doendo não há Tom Cruise que desperte interesse) a cantada foi dessas bem baratas, cruas e descaradas que por sorte o tempo se encarregou de apagar de minha memória. Memória tem disso, de vez em quando deleta alguma coisa que não é há muito acessada, como computador. A sua eu não sei se é assim, a minha eu sei que é. Bem, mas de qualquer forma o que me lembro é que fiquei espantada com a safadeza do cara. Espantada não, fiquei foi indignada. E se não estivesse em desvantagem porque o dente estava que não era mole, garanto que tinha tascado a mão na cara dele ali mesmo na horinha. Ele nem se abalou com os despropérios que falei, parece até que já esperava, sabe como é safado profissional, canta por desencargo de consciência, vai que a gente topa, é só alegria. Mas também se a gente não topar não tem problema, "há outros peixes no mar'. E o pior é que quando disse que ia contar pro meu namorado e a namorada dele o sujeitinho riu na minha cara e disse que negaria tudo. Achei que estava blefando, claro. Nem um vigarista daqueles teria tamanha cara-de-pau. Mas antes eu tivesse acreditado, não é que o cretino negou mesmo, na minha cara? E fez mais: disse que EU é que ficava me jogando pra cima dele e como ele não me dava bola, estava inventando isso pra me vingar. Ora, veja se pode, fiquei bufando de ódio. Minha amiga disse que acreditava em mim - em termos - mas daí pra frente passou a visitar-me bem menos até que sumiu de vez. Pior: casou com ele. Mas essa não foi a pior parte. Aproveitando-se da amizade de tantos anos, acabou enfiando na cabeça do meu quase-noivo que a história dele era verdadeira, e pelo sim, pelo não, meu namorado começou a se afastar de mim, ficava na esbórnia com os amigos, ia jogar, até que não deu mais e eu tive que ter uma "conversa séria" com ele que culminou com o nosso rompimento. Não que eu tenha perdido grande coisa, porque se ele me amasse de verdade e confiasse em mim acreditaria na minha história e não se deixaria levar pelo amigo, mas eu aprendi minha lição. Nunca mais na minha vida eu abri minha boca pra contar de namorado ou namorada que estivesse traindo seu consorte. Alguns anos se passaram e um dia fui ao banco descontar um cheque. Estou tranquilamente na fila do ônibus pra voltar pra casa quando dou de cara com meu vizinho descendo de carro a rampa do motel em frente nada mais nada menos que com a secretária do lado. Meus olhos devem ter saltado das órbitas com o impacto, até aí eu botaria a mão no fogo por ele - tá na cara que ia torrar até o osso! Nem sei quem ficou mais surpreso, eu ou ele, porque tão logo bati os olhos naquela cena tocante ele virou-se pra entrar na avenida e deu de cara comigo no ponto de ônibus de boca aberta. Ficamos naquela comtemplação não sei por quanto tempo, mas meu ônibus chegou e eu pulei nele, ansiosa por livrar-me dessa situação tão constrangedora. Quando desci do ônibus, adivinha quem estava me esperando com o coração na mão e quase que com lágrimas nos olhos? Exatamente, o meu vizinho. E ele foi logo pedindo pelo amor de Deus pra eu não contar pra mulher dele, que pensasse nos filhos dele, no lar desfeito, etc. Com um gesto interrompi o discurso que se anunciava longo e apelativo e disse: - Contar? Mas contar o quê? Eu não vi absolutamente nada e se alguém disser que eu vi eu nego! (por Zailda Mendes) February 02 CarnavalA escola de samba Viradouro do Rio ia sair com um carro alegórico com corpos nus amontoados para simbolizar o extermínio dos 6 milhões de judeus mortos no Holocausto, mas foi proibida de apresentar o carro no carnaval por liminar. Entendo que há anos as escolas vêm apresentando temas sérios em seus desfiles, mas o Holocausto ainda é uma chaga na história da humanidade e acredito que deva ser tratado com mais respeito e seriedade. Não creio que um desfile de escola de samba seja o local adequado para se falar ou mesmo fazer-se referência a esse assunto. Carnaval é uma festa de alegria e as pessoas que vão ver o desfile vão lá pra divertir-se, não creio que estariam dispostas a refletir sobre tal desumanidade durante esse evento. Creio que seria jogar pérolas aos porcos, e à exemplo dos porcos, não saberiam o que fazer com elas. (por Zailda Mendes) February 01 Dejá vu- O que é "dejá vu"? - Hmm... deixa ver... Mas você já não me perguntou isso antes? Meus blogs no Live SpacesPra quem gosta de blogs aí vai uma lista dos meus blogs do Live Spaces: Pensamento Pecado Original Lágrimas da Alma Ponto de Chegada Vida Cigana Verso e Reverso Poema Hablando Español
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